AMOR E LIBERDADE

08

fev

Um conquistador invadiu uma cidade e sequestrou uma mulher que amava muito e a prendeu em seu castelo


 

Um conquistador invadiu uma cidade e sequestrou uma mulher que amava muito e a prendeu em seu castelo. Ela tinha tudo o que desejasse desde que se submetesse ao poder e a autoridade dele. Embora ela tivesse tudo ele notou que ela era muito triste. Ele perguntou:

― Por que você está tão triste se tem tudo o que deseja?

― Embora eu tenha tudo, eu não tive a opção de escolher, tudo foi aqui me imposto. Eu não pude amar ou não amar. Eu não tenho o direito de ficar ou de partir, não posso tomar decisões, escolher certo ou errado.

― O que eu posso fazer para você me amar, perguntou o rei?

― Você pode me deixar partir!

― E se você não voltar mais?

― é simples: você me perdeu!

― E se eu não deixar você partir?

Se você não deixar partir terá sempre junto a você uma amante cativa, detida unicamente pelo seu poder e domínio, medo e interesse. O que significa que o nosso relacionamento é totalmente falso, baseado na força, no poder, no medo e no interesse.

 

O rei tem que tomar uma decisão, ele se relaciona com ela na base do poder, da força, coação, do medo, ou na base da liberdade e da escolha. Liberdade implica em ela ir embora ou não, se ela ficar fica por amor, não pelo poder, pela força, pela imposição. O que decide a permanência é o direito de escolha, de amar. Amor e liberdade caminham sempre juntos.

 

Assim deve ser a vida entre as pessoas, e é baseado no relacionamento de amor e liberdade que a Bíblia retrata o relacionamento proposto a Deus a cada ser humano. Há dois desdobramentos quando falamos de amor em liberdade no relacionamento com Deus:

 

Primeiro, a liberdade de escolher, ele nos deixa tomar decisões, errar, pecar, desobedecer, buscar o que achamos liberdade, direito, foi o que fizeram Adão e Eva. Eles escolheram a única coisa que lhes era proibido, mas Deus o permitiu.

Segundo, ele nos deixa partir, pois quer desenvolver conosco um relacionamento baseado no amor e não no poder, na força, no medo, no interesse. Ele permite que eu e você decidamos o que iremos fazer, para onde iremos e o que faremos com a nossa liberdade. O problema da liberdade é que ela implica em responsabilidade e resultados que nem todos querem assumir.

No entanto, Ele assume o ônus da redenção, Ele vem ao mundo, a nós e através do seu amor e não através do seu poder, por isso ele se humaniza. Ele escolhe sofrer o castigo que nos traz a paz, ele escolhe a cruz, solidão, ele paga o preço da redenção em si mesmo. Ele não transfere responsabilidade a criatura: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos AMOU a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados, (I João 4.10).

 

Qualquer decisão que tomarmos, Ele ainda continuará nos amando. Há um episódio na Bíblia que retrata bem o que eu disse. Jesus convida um jovem a segui-lo, abandonar tudo, toda a sua riqueza e experimentar outra, duradoura, muito, muito maior. Mas ele diz não. Na conversa, o autor do evangelho de Marcos, registra uma frase maravilhosa: “Jesus olhou para ele e o amou…” (Marcos 10.21).

Amor e liberdade, o verdadeiro amor de Deus, revelado em Jesus Cristo, muito mais do que palavras que adubam músicas poesias.

Pr. Roque Carvalho



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