“CONHECE-TE TI MESMO”

08

out

“Aquele que luta com monstros deve permanecer atento para não se tornar também um monstro. Se olhares demasiado tempo dentro de um abismo, o abismo acabará por olhar dentro de ti",


 

“Permita-me conhecer-te, oh Deus.

Permita-me conhecer a mim mesmo.

Isto é tudo”.

(AGOSTINHO)

 

Conhecer a Deus é mais importante do que cantar, adorar, cultuar e até orar. Como orar a um Deus que não se conhece? Esse foi primeiro pedido de Agostinho: “Permita-me conhecer-te, oh Deus”. O próprio Deus revelou isto em sua Palavra: Pois desejo misericórdia, e não sacrifícios; conhecimento de Deus em vez de holocaustos, (Oseias 6.6).

 

O segundo pedido é de conhecimento próprio: “Permita-me conhecer a mim mesmo”. O aforismo conhece-te a ti mesmo” é atribuído a vários possíveis autores, Tales de Mileto, Heráclito, Sócrates, etc. É uma máxima muito utilizada para a busca do autoconhecimento. Este é o pedido de Agostinho a Deus, que ele se conheça.

Conhecer a Deus  é a primeira coisa indiscutível, no entanto, conhecer a si mesmo é um exercício fundamenta para o crescimento e desenvolvimento de uma pessoa. Foi difícil para Jacó diante de Deus dizer quem ele era. Deus perguntou: “Qual é o seu nome? Jacó, respondeu ele…,” (Gênesis 32.27). Veja a questão, quando Deus faz a pergunta qual é teu nome a Jacó, ele responde quem ele é. O que quer dizer, Jacó? Jacó, que dizer, oportunista, aproveitador, enganador. Ele recebeu esse nome por sair agarrado ao calcanhar de Esaú, e depois fez jus a esse nome enganando o irmão e ficando com sua primogenitura.

Como é difícil admitir a verdade sobre nós mesmos.  Qual é teu nome? Você se conhece? Você sabe do que é capaz? Quando você se olha no espelho quem é você? A imagem que está lá é a sua mesma?

Durante a nossa caminhada na vida cristã corremos o risco de nos tornarmos iguais aos monstros que combatemos. Friedrich Nietzsche afirmou e um de seus aforismos: “Aquele que luta com monstros deve permanecer atento para não se tornar também um monstro. Se olhares demasiado tempo dentro de um abismo, o abismo acabará por olhar dentro de ti”, (Além Do Bem e Do Mal).

Ao lutarmos com monstros, sem perceber, vamos nos tornando monstros. Vamos utilizando as mesmas estratégias para vencermos a luta. Ao olhamos para o abismo, ele vai acabar olhando para dentro de nós. Sem perceber, já não experimentamos o sabor da vida cristã, de não revidar com as mesmas armas: “Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem, (Rm 12.21).

 

“Quem sou eu? Este, ou o outro?
Sou uma pessoa hoje, e outra amanhã?
Sou as duas ao mesmo tempo? Um hipócrita diante dos outros,
E diante de mim, um fraco, desprezivelmente angustiado?
Ou há alguma coisa ainda em mim como exército derrotado,
Fugindo em debanda da vitória já alcançada?

 

Quem sou eu? Estas minhas perguntas zombam de mim na solidão.
Seja quem for eu, Tu sabes, ó Deus, que sou Teu!”

(Dietrich Bonhoeffer, Cartas da Prisão)

 

Pr. Roque Carvalho

 

 

 



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