DEUS NÃO EXISTE, APROVEITE A VIDA

18

out

"Deus provavelmente não existe. Agora, pare de se preocupar e aproveite a vida."


A frase completa é da roteirista inglesa Ariane Sherine, 28 anos, que leu em um site evangélico o seguinte: “quem rejeita o nome de Jesus passará toda a eternidade em tormento no inferno”. Indignada, resolveu dar uma resposta. Como ela é ateia, convocou os ateus a dar uma resposta e se engajar em uma contrapropaganda e criou o slogan: “Deus provavelmente não existe. Agora, pare de se preocupar e aproveite a vida.”

 

A frase ganhou apoio financeiro e passou a circular nos ônibus pela cidade de Londres. Os milhões de ateus espalhados pelo mundo abraçaram a ideia, pois se dizem cansados de ouvir sentenças condenatórias. No Brasil, Acaba de ser criada a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), para dar visibilidade e pedir respeito a quem não tem fé. A Atea começou a arrecadar dinheiro para uma campanha em São Paulo semelhante à dos ingleses, e em breve poderemos ver circulando nos ônibus a mesma frase.

 

Se estivessem vivos outros ateus fariam coro a Ariane Sherine, questionando a existência de Deus. Segundo Feuerbach: “Os Homens criaram Deus por temerem a sua própria mortalidade”. Marx: “Os Homens criaram Deus por contraposição às condições materiais das suas existências precárias”. E ainda Freud:  “Os Homens criaram Deus por puro sentimento de culpa: parricidas arrependidos, eles buscam ainda uma autoridade perdida; Deus é o “fetiche” infantil de quem se recusa a viver uma vida adulta”.

 

No entanto, o escritor russo, Doistóievski, questionaria a razão de se retirar Deus da história humana: “Se Deus não existe tudo é permitido”. Removendo Deus, considerado um empecilho, acabam todos os limites éticos e morais para a ação humana. Já vimos essa história no século 18 protagonizada pelo Iluminismo. Criticando à instituição religiosa como autoritária, retrógrada e obscurantista, defendia que a libertação dos homens passava pela libertação do divino. A razão tomou o lugar de Deus, e no século 19 e 20, junto com o progresso cientifico, o homem experimentou a devastação por grandes construções coletivistas, utópicas e rigorosamente ateias que libertaram um fanatismo estúpido de crueldade. Claro, não se pode negar os erros cometidos em nome de Deus durante a história, mas é necessário lembrar que grandes homens lutaram por uma reforma para banir a estupidez daqueles que usaram indevidamente o nome de Deus.

 

Antes de começar a festejar, é bom começar a pensar: “Quando os Homens não acreditam em Deus, eles não passam a acreditar em nada; eles acreditam, antes, em qualquer coisa”, (Chesterton). Imagine, tem pessoas que creem em duendes. Buscam saber o futuro nos astros, nos búzios, nas cartas. Temos sido testemunhas de sacrifícios humanos. A história atual e mais cruel e a do menino de 2 anos, operado para retirar cerca de 30 agulhas inseridas pelo padrasto num ritual de magia negra. Nessa hora a sociedade pede justiça, morte. Há um liberalismo absurdo. Qualquer dia, aqueles que sentem atração sexual por mortos, necrófilos, vão exigir seus direitos.  Remover Deus do coração humano pode não ser a solução para os problemas. O salmista previa as consequências de se remover Deus do centro da vida, e chama de tolos os que o fazem:

 

Diz o tolo em seu coração: “Deus não existe”. Corromperam-se e cometeram atos detestáveis; não há ninguém que faça o bem.” (Sl 14.1)

 

Roque Carvalho



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