FALANDO DE PERDÃO

17

ago

Falar de perdão é falar de Jesus e dos homens que com Ele almejam ficar parecidos. Falar de perdão é falar da repetição da vida de Jesus na nossa pobre, frágil e caída humanidade individual.


Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos perdoe as vossas ofensas, (Marcos 11.25)

 

Falar de perdão é falar de vida, de saúde, de paz e da verdadeira humanidade individual que se transforma na semelhança de Deus, pois quem não perdoa, adoece e se deforma como gente.

 

Falar de perdão é falar do sentimento essencial para se viver com o coração descoberto neste mundo de agressões e de facas afiadas.

 

Perdoar é deixar o outro nascer de novo na nossa história, sem as memórias que fizeram dele uma desagradável lembrança.

 

Falar de perdão é falar de um alto padrão, é falar de algo que não se aprende em nenhuma, escola ou faculdade, é falar daquilo que a natureza caída do cosmos não criou, nem por seleção natural, nem por geração espontânea, porque não se aprende as leis do perdão na natureza.

 

Há muitos verdugos psicológicos, existenciais, emocionais e espirituais para nos punirem já nesta vida. Quem não perdoa não será punido apenas na eternidade, é punido aqui. Quem não perdoa já está sob o poder dos verdugos aqui. Quem não perdoa fica com cancro na alma, envenena o coração e se auto-chicoteia pelo verdugo da consciência. Flagela-se, encarcera-se, tem sua penitenciária neste mundo.

Falar de perdão é falar de Jesus e dos homens que com Ele almejam ficar parecidos. Falar de perdão é falar da repetição da vida de Jesus na nossa pobre, frágil e caída humanidade individual. Falar de perdão é falar de Deus na minha e na sua vida, é falar de divida paga, cancelada: “E havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz;” (Cl 2.1)

 

Jesus rasgou a nota promisória,  riscou qualquer possibilidade de ser lido algo contra nós. É aquele risco no caderno que a pessoa não quer seja lido. Ele risca varias vezes por cima impossibilitando que seja lido: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro”, (Is 43.25)

 

Falar de perdão, é falar de gesto repetido. Todos os que recebem o perdão,  de Deus ou de outro, têm  o compromisso perpétuo de repetir o mesmo gesto com os outros tantas vezes quantas sejam necessárias. Então o seu Senhor, Chamou-o, disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda, porque tu pediste, tu me suplicaste; não devias tu igualmente, ou como eu fiz contigo, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? (32,25).

 

Falar de perdão é falar de quem perdoa. A primeira pessoa a ser curada pelo perdão é a pessoa que perdoa. Quando genuinamente perdoamos, libertamos um prisioneiro e então descobrimos que o prisioneiro que libertamos éramos nós. “A única coisa mais difícil do que o perdão é não perdoar”.  Philip Yancey, Maravilhosa Graça.

 

Pr. Roque Carvalho



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