FÉ, CIÊNCIA E ATEÍSMO

31

maio

A ciência é a fé sempre colidiram de frente. O que a ciência não pode provar não pode ser imposto como paradigma para a vida em sociedade, é objeto de fé individual e privativa.


 

Se livrar de Deus sempre foi uma tentativa humana. Copérnico e Galileu iniciaram o processo de desmanche das explicações teológicas do mundo da física. Karl Marx condenou a religião como ópio do povo e instrumento de alienação social. Friedrich Nietzsche denunciou a fé em Deus como impedimento para o desenvolvimento de uma humanidade autêntica. Sigmund Freud afirmou a busca de Deus como manifestação de uma recusa à maturidade, uma opção pela infantilidade que insiste em se manter sob os cuidados de um Deus que mais se parece com um pai super-protetor.

A ciência é a fé sempre colidiram de frente. O que a ciência não pode provar não pode ser imposto como paradigma para a vida em sociedade, é objeto de fé individual e privativa. A religião explica o mundo com afirmações metafísicas sustentadas pela fé, a secularização se vale do método científico que demonstra os fatos: contra fatos não há argumentos, afirma a ciência.

Esse ateísmo baseado na ciência é um fenômeno da modernidade. Foi a partir do Iluminismo que se fez a distinção entre fé e ciência, o que resultou no surgimento dos campos religioso e secular. A modernidade excluiu Deus como hipótese para explicar o universo e normatizar a vida social.

O objetivo do ateísmo é claro, emancipar o ser humano da ignorância científica, a opressão social, a covardia existencial, e a infantilidade psicológica. Tirar Deus da jogada, sem Deus tudo é permitido. Não há conceitos morais e nem padrões de comportamento, ser feliz e sem culpa, buscar o prazer a qualquer custo. Deus é um castrador da felicidade representada pela religião, pela fé. Sem Deus não há conceito de pecado, só se peca contra Deus. Deus não existe, mata-se Deus, tudo está resolvido.

No entanto, a “morte de Deus” mata o homem e esvazia o universo de sentido: direção e significado. Sem Deus, ficamos a mercê do homem, finito e limitado, inteligente, mas incoerente. Ao mesmo tempo que é capaz de criar máquinas que funciona com um simples apertar de um botão para o bem, e também com esse simples apertar de botão que uma bomba mata milhares de inocentes.

Um menino entra sem ser notado na Casa Branca e vê uma mesa com vários botões. Ao mexer em alguns surge presidente, quer saber com ele entrou ali, ele simplesmente não foi notado pela segurança, filho de um visitante. O menino pergunta: Posso apertar esse botão? Não, diz o presidente. Você destruiria todo o planeta. Em toda sua inocência retruca o menino: Onde está o botão que reconstrói tudo de novo?

 Eis a incoerência. É possível destruir tudo rapidamente, com um apertar de um botão, mas não reconstruir. Assim as pessoas apostam suas vidas na ciência, que diz ter prova pra tudo. A grande realidade, é que o que é verdade não precisa de provas, nem uma. Se precisa provar, algo está errado.

Fé e ciência podem caminhar juntas, tirar Deus da jogada não soluciona o problema do ser humano, só o agrava. Prefiro crer num Deus como causa de tudo, que não fica alheio a dor humana, mas envia seu filho para o salvar. Sim, Deus conhece a dor, a indiferença, a injustiça. Ele se identifica comigo e com você, pois enviou seu filho com um objetivo:

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3,17)

Roque Carvalho



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