O CREDOR E OS DOIS DEVEDORES

10

nov

Aos olhos de Deus, todos somos pecadores, aos olhos de Deus não temos com que pagar. A justiça de Deus está acima da nossa.


 

Todos nós devemos. Divididas financeiras, divididas de gratidão, todos têm débitos, devemos alguma coisa a outro. No Brasil, os nossos filhos já nascem devendo. Com a questão da dividida em nossas mentes, quero destacar um incidente interessante entre Jesus e Simão, fariseu, pertencente a seitas dos fariseus, grupo religioso dos tempos de Jesus. Uma mulher, denominada de pecadora pelo fariseu, talvez uma prostituta, se ajoelha e molha os pés de Jesus com suas lágrimas. Depois ela enxuga os seus pés com os seus próprios cabelos e os unge com perfume.

O fariseu fica indignado ao ver que Jesus não se importou que a mulher fizesse isso, e fariseus então fez a censura; “… se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma pecadora” (Lucas 7.39). A partir das palavras do fariseu Jesus conta uma história de dois homens que deviam: “Dois homem deviam a certo credor, um devia quinhentos denários e outro cinqüenta. Ambos não tinham com que lhe pagar, por isso ele perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais?” (Lucas 7.42). O fariseu respondeu de forma lógica e rápida: “… aquele a quem foi perdoada a divida maior” (Lucas 7.43).

A lógica é a seguinte, um devia 500 e o outro apenas 50.  Quem deve 500 é a prostituta, quem deve 50 é o fariseu, a dívida é o pecado e o credor é Jesus. Aprendemos que os dois são devedores, isto os iguala: um devia 500, o outro 50, mas deviam. Ambos não têm com que pagar. Não há como barganhar com Deus sobre o pecado, seja considerado pouco ou muito, o que para Deus não há nenhuma diferença.

O fariseu é cruel e julgador, para ele a mulher deve mais, ele a rotula, chama de pecadora, e critica a Jesus por permitir que a mulher lhe toque. O fariseu murmura, fala consigo mesmo, ele é esnobe, orgulhoso. Não precisa de perdão

A mulher tem uma atitude diferente do fariseu, é o que os diferencia: ela tem clareza de seus pecados e de quem ela é. Ela chega por trás de Jesus, ela não lhe olha no rosto. Ela precisa de perdão. A sua atitude para com Jesus revela o quanto ela precisa se perdoada. Isto coloca uma grande distância entre ela e o fariseu.

Jesus, o credor, faz uma avaliação de ambos. A mulher, embora pecadora tratou a Jesus com amor, com zelo, se humilhou. O fariseu é recriminado: “… não me deste beijo, não me ungiste a cabeça, e nem me lavaste os pés” (7.45). Isto era considerado uma afronta nos tempos de Jesus, uma falta de consideração. A atitude daquela mulher foi evidenciada pelos seus gestos. O grande amor por ela demonstrado prova a sua necessidade de perdão. Mas quem não se sente pecador, não sabe demonstrar perdão e nem gratidão. Ela tem toda a sua divida perdoada: “Então Jesus disse a ela: “Seus pecados estão perdoados” (7.48). O fariseu continuou devedor.

Aos olhos de Deus, todos somos pecadores, aos olhos de Deus não temos com que pagar. A justiça de Deus está acima da nossa. Assim como Deus recompensa que fez menos com o mesmo valor ele perdoa a quem fez mais ou menos com o mesmo perdão. Isto chama-se graça.

Roque Carvalho.



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