“PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES”

23

jun

A música denuncia a realidade vivida pelo povo brasileiro debaixo da ditadura, e o despotismo militar, que pela força e covardia, impedia a falta de liberdade e manifestação do direito de discordar


Decorria o ano de 1968, a música “Caminhando” (“Pra não dizer que não falei das flores”), de Geraldo Vandré, chega ao 2º lugar no Festival da TV Globo desse ano, perdendo para Sabiá (Chico Buarque/Tom Jobim), apesar de ser a preferida do público, que a canta em uníssono no Maracanãzinho, proporcionando um dos momentos mais emocionantes da MPB.

O ambiente político carregado da época (AI-5 estava se aproximando), tornou a música proibida e seu autor “persona non grata” pelos donos do poder. A música denuncia a realidade vivida pelo povo brasileiro debaixo da ditadura, e o despotismo militar, que pela força e covardia, impedia a falta de liberdade e manifestação do direito de discordar.

“Caminhando e cantando e seguindo a canção / Somos todos iguais braços dados ou não”: representa as passeatas que reuniam, em sua maioria, jovens que tinham consigo um desejo de mudança, ambições e sonhos, eram movidas a cartazes de protestos, a vozes gritantes que entoavam hinos e músicas. “Nas escolas nas ruas, campos, construções”: as manifestações eram compostas de pessoas de diversos ambientes, mas que possuíam o desejo de mudança em comum. “Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”: aqueles que sofriam o momento na pele e não faziam nada, afinal não se muda um país, ficando parado. Há também a critica aos soldados que, manipulados pelo poder, são incapazes de refletir: “Há soldados armados, amados ou não / Quase todos perdidos de armas na mão Nos quartéis lhes ensinam antigas lições / De morrer pela pátria e viver sem razão”.

Em meio a opressão e falta de liberdade, sofrimento, fome e despotismo, havia ainda esperança, era possível falar das flores. Haviam aqueles que viviam a utopia de que é possível vencer o canhão com as flores:  “Pelas ruas marchando Indecisos cordões /Ainda fazem da flor seu mais forte refrão/ Acreditam nas flores / Vencendo o canhão…”

É possível falar das flores e o meu mestre falou das flores: Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem. Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem.Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles.Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? ” (Mateus 6.28-29)

Como queremos viver: preocupados com comer, beber e vestir? Há coisas muito mais importantes. Num contexto de tantas desigualdades sociais, não devemos viver determinados pelo conforto material e indiferentes necessidades dos outros. Quanto mais se experimenta bens materiais e adquire-se o gosto pelo que é bom, se esquece daqueles que não tem o básico para viver.

Jesus queria que os seus discípulos focassem no que é mais importante do que roupas, e manter as esperanças no Deus que cuida das flores. Que as faz crescer, serem belas e cheias de vida. Eles olhariam para as flores cheias de vida, cheias de glória e beleza muito maiores do que as vestes de Salomão, e assim renovariam as suas forças. Não faz sentido imaginarmos que Deus se esqueceu de nós, pois se Ele cuida das flores e dos passarinhos, como deixaria de cuidar de nós? Mesmo que a vida não seja um “mar de rosas”.

Ainda podemos acreditar nas flores, Deus cuida delas,

Pr. Roque Carvalho



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