PASTOR: GESTOR, SACERDÓCIO OU EMPREGO?

04

jan

Muitos ministérios são avaliados em grande parte por uma boa gestão. E ainda tem pessoas para avaliarem ao final de cada culto ou atividades, presença em todas as reuniões e relatórios para serem apreciado


Um exame simples mostra que a pessoa do pastor vem desaparecendo completamente e se transformado num gestor. O gestor administra, cuida de negócios, dirige reuniões de gastos, é avaliado pelos resultados, demite, pune, tem metas, é formado e não vocacionado, assina papeis, contratos, constrói prédios e se vai mal na campanha de arrecadação é logo cobrado pelo mau resultado, é chefe e é temido. A igreja tem de crescer em números de membros. Se a igreja está crescendo então é porque está certo, se não está crescendo algo está errado. Vivemos no mundo da “pluralidade”, quantidade, e não dá qualidade, crescimento, conhecimento de Deus.

Muitos ministérios são avaliados em grande parte por uma boa gestão. E ainda tem pessoas para avaliarem ao final de cada culto ou atividades, presença em todas as reuniões e relatórios para serem apreciados. Claro, as falhas são enormes, e isto não é ensinado no curso de Bacharel em Teologia.

Uma coisa deve ficar clara, pastor não tem emprego, não presta serviços para a igreja ou denominação, mas para Jesus Cristo. Pastor não ganha “salário”, não tem sindicato, não é profissão, não tem seguranças. Quem seria capaz de imaginar que um dia pastores teriam seguranças? Ganha o seu sustento: “pois a Escritura diz: “Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal”, e “o trabalhador merece o seu salário” (1ª Tm. 5.18).  Não são como os “sacerdotes” separados por herança familiar. Pastor é um dom dado pele Espirito Santo e jamais será retirado (Efésios 4.11). São pessoas vocacionadas por Deus com um propósito, 2Co 4.6,7.

Pastor cuida de “ovelhas”, as alimenta com a Palavra, parte fundamental do ministério, abraça, apascenta, olha no rosto, visitas as necessitadas e as conhece pelo nome, (SEU PASTOR CONHECE VOCÊ PELO NOME OU VOCÊ É UM NÚMERO?).  É um servo! Não é edificador de prédios é edificador de vidas. Há pessoas muito mais capazes para isso. Cabe ao pastor pregar a Palavra. Eu dou aula de homilética e os alunos sempre me perguntam: “Quantos horas devo dedicar para preparar um sermão? ”. Horas? Que horas! Dias, semanas, e muito estudo, muita dedicação. Pregar um sermão de vez em quando até que não é difícil. Agora, pregar por anos, 10 a 12 sermões por mês, sem ser repetitivo já é mais difícil.

Há muitas perguntas e não estou aqui escrevendo de forma corporativa, defensiva, já que sou um pastor. Pastor pode fazer muitas coisas, mas especialmente de exercer seu dom com honestidade e lealdade. Eu confesso que já falhei muito, errei mas do que acertei,  há muitas coisas que fiz e não faria novamente.

Creio que o pastor deve conhecer suas limitações e a igreja também entender e ver o pastor como um ser humano comum, e passível de cometer erros. Que fique claro, pastor não é gestor e nem empregado da igreja, e os pastores precisam ver a igreja como pessoas que precisam de abraço, carinho, abrigo e consolo.  A igreja e os pastores precisam rever esses conceitos.

Pr. Roque Carvalho



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