Plantem Flores, Crianças

21

jul

Vamos revolver a terra, crianças. Tragam pás e ancinhos, venham depressa, anjinhos, plantar a paz.


PLANTEM FLORES, CRIANÇAS

 

Crianças do mundo inteiro, venham depressa, correndo.

Vejam, crianças, como está o mundo,

o Jardim do Édem que Deus plantou,

tão seco, sem chuva;

tão feio, sem sol.

As plantas não crescem, as flores não brotam, os frutos não saem…

 

Vamos revolver a terra, crianças. Tragam pás e ancinhos,

venham depressa, anjinhos,

plantar a paz.

Plantem mudas, mudas que mudem no silêncio

o mundo imundo.

 

Plantem flores, crianças,

de todas as cores.

Plantem amor-perfeito

em cada vaso vazio

das casas escassas de amor dos casais.

 

Joguem sementes no bolso do papai, nos chinelos da mamãe…

Cerquem os quartéis de saudade. Encham de sementes os fuzis

e façam uma guerra santa,

até que os homens morram de amor.

 

Plantem rosa nos palácios de justiça, copo-de-leite à entrada das favelas,

lírio branco nas celas dos presídios,

bem-me-quer nas salas das escolas,

plantem nos púlpitos

a Rosa de Sarom.

 

Encham o mundo de açucena,

que sobre o oceano ameno

seja o prenúncio

da cena  da paz.

 

E se os homens, com seus pés impiedosos,

pisarem as flores que vocês plantaram,

chorem, crianças, chovam lágrimas cheias de calor,

até fazer nascer, no mundo,

novo e lindo

jardim da infância,

a exalar amor.

 

Silvino Netto



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