SE NÃO TIVESSE AMOR

14

set

Tudo espera. Ele tem um olhar prospectivo futurista. Recusa-se a tomar o fracasso como algo final. Espera uma vitória além.


Há várias palavras para amor na língua grega. Há o amor Eros (ἔρως). Esse é o amor romântico entre homem e mulher. Há o amor Philia (φιλία): Amizade. É amor companheiro, amigo, que se doa pelo outro.  Há uma terceira palavra que é o amor Ágape (ἀγάπη). É um amor com atitude, amadurecido e não infantilizado, amor sacrificial, não é apenas palavras para adubar poesias, é um amor concreto. Foi com esse amor que Deus se declarou a nós: “Porque Deus tanto amou (Ágape(ἀγάπη) o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”, (João 3.16).

Na experiência vivencial qual amor mais importante e mais duradouro? A sexual, diria atualmente os sábios da nossa sociedade contemporânea. Ou então os poéticos diriam que é amor romântico. Ou ainda o amor amigo. No entanto, eu creio, que sem esse amor ativo (Ágape) na vida os outros amores tendem a desmoronar.

É nítido que o romantismo diminui com o tempo, assim como a ênfase no relacionamento sexual. Até porque nem sempre a relação sexual será efetiva, na enfermidade, por exemplo, na gravidez da esposa, na enfermidade do marido, na indisposição de ambos. Mas quando a chama do prazer sexual, da amizade, do romantismo, do companheirismo, o prazer da companhia, o respeito; são sustentadas pelo verdadeiro amor todas as outras chamas ficarão acesas.

O apóstolo Paulo fala tão profundamente desse amor, que afirma o seguinte: Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá”, (1ª Co 13.1-3).

 Se não tiver amor, ainda que se fale qualquer idioma, ou mesmo a língua dos anjos, está apenas fazendo barulho. Se não tiver amor, mesmo que a pessoa “profetize” e tenha todo o conhecimento, toda a sabedoria, não vale de nada sem amor. Se não tiver amor, ainda que as pessoas doassem todos os seus bens para os pobres, os sacrificasse o seu corpo, nada disse adiantaria. Sem amor, tudo é invalidado, é vazio.

E afirma ele a seguir: (1ª Co 13. 3-8):

O amor tudo sofre, ou seja, o amor não recua facilmente diante do sofrimento.

O amor tudo crê, vê o melhor nos outros, retém a fé nas pessoas. O amor não é pessimista para com o outro. Ele é capaz de imaginar o melhor a respeito das pessoas.

 Tudo espera. Ele tem um olhar prospectivo futurista. Recusa-se a tomar o fracasso como algo final. Espera uma vitória além.

 Tudo suporta. É sacrificial. Ele se doa por inteiro pelo outro. Vai até as ultimas consequências.

 O amor não arde em ciúmes. Não se aborrece com o sucesso do outro.

 Não se conduz inconvenientemente. O amor evita o que é vergonhoso. Evita o que é indecoroso, evita o que é desonroso, evita o que é indecente, evita toda a gama de comportamento inconveniente.

O amor não procura os seus interesses. O amor é a antítese do egoísmo.

Se esse amor não existir na vida das pessoas, os outros amores vão perecer. Esse amor, diz o apóstolo paulo: “jamais acaba…”(1ª Co 13.8)

É preciso não somente amar, mas amar com esse amor.

Pr. Roque Carvalho



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